Quarta chamada: Imaginar o impossível – sobre a modernidade e seus fins.

22/07/2026 15:36

Estamos diante da inevitabilidade de um veredito, que nos cerca em um horizonte sem desvios. Seria este nosso futuro decretado? Esse futuro pintado de fim que dispara em nossa direção como sentença de morte. Ao redor, tudo que vemos são rostos conformados, repetindo o discurso de um único futuro possível, onde a força criativa – individual e coletiva – é consumida pela lógica cultural à qual nos submetemos. Lançamos a pergunta: como voltar a imaginar, ainda mais quando nosso músculo onírico se encontra em estado de atrofia deliberada? Arriscamos que somente uma experimentação radical com a linguagem tem condições de esgarçar essa abertura estreita por onde, hoje, atravessa somente uma possibilidade. 

A arte, historicamente, tem sido esse campo de transformação e de ruptura, capaz de propor novas formas-de-vida. Diante de nossa era, marcada pela efemeridade, a arte enfrenta o desafio de despertar no ser humano a possibilidade de se reconectar com uma experiência mais profunda, sensível e integral da vida. É imperativo que ela assuma seu papel em imaginar o im-possível. Para tanto, se faz necessário, mais do que nunca, entrar em contato com obras que, para além de pensarem o presente, tenham potencial de desestabilizar a crença de um destino inevitável e de provocar fissuras por onde brotem novas ideias fecundas de futuro, na tentativa de, como formulou Hélio Oiticica em 1967, “abordar esse mundo com uma vontade e um pensamento realmente transformadores”.

São reivindicações como essas que aproximam estudantes, em nível de graduação e de pós-graduação, que integram o Grupo de Estudos em Literatura e Modernidade (GELMo/UFSC). Desde 2024, nossos projetos de pesquisa em literatura e artes visuais, situados no contexto da modernidade ocidental, compartilham a busca por uma compreensão crítica mais ampla do complexo panorama político, cultural e estético. 

Nesse quarto chamamento para o nosso seminário inaugural, Imaginar o impossível – sobre a modernidade e seus fins, a ocorrer, presencialmente, nos dias 28, 29 e 30 de setembro na UFSC, o GELMo convoca aliados para um esforço coletivo de reflexão: de que maneira a literatura, as artes e as técnicas podem nos devolver uma experiência em comum ou provocar uma reintegração dos sentidos, nesse contexto marcado pelo isolamento sensível e pelo esgotamento da imaginação? Como imaginar novas formas de romper com o conformismo diante de um futuro aparentemente inexorável? Talvez seja preciso voltarmos a confiar no contágio produzido pelas linguagens, pelos corpos e pelos sentidos que certas obras ainda conseguem suscitar.

Convidamos, enfim, pesquisadores dispostos a provocar essa fissura conosco, ou ao menos tentar. As conferências de abertura e de encerramento e as mesas de discussão acontecerão na sala Machado de Assis, localizada no quarto andar do Bloco B do Centro de Comunicação e Expressão da UFSC. Receberemos 14 propostas de comunicação, que deverão dialogar diretamente com as preocupações aqui delineadas ou com os anseios expostos em nossas chamadas anteriores e naquelas que se sucederão nas próximas semanas.

A submissão de trabalhos para comunicações é gratuita e deve ser feita entre os dias 01 de julho e 07 de agosto, por meio DESTE FORMULÁRIO. Para se inscrever, basta enviar um resumo de, no máximo, 350 palavras e três palavras-chave. A decisão sobre as propostas selecionadas será comunicada por e-mail. As inscrições para ouvintes estão abertas para toda a comunidade até a data do evento, clicando AQUI. Todos os participantes receberão certificado. 

Terceira chamada: Imaginar o impossível – sobre a modernidade e seus fins.

15/07/2026 10:22

Elaboradas e difundidas por pulsões infindas, tensões crescentes e movimentos lacerados, as artes e as literaturas reúnem as potências do que nunca se fecha e, por isso, como um perfume, deixam rastros (sillages) de memórias que, de tempos em tempos, de corpo em corpo, chocam-se, transformam-se e se relacionam. Esse movimento, conforme Didi-Huberman sugere, é a dialética do pensamento e da imagem. Estamos, então, sempre a dialetizar o saber por meio do choque, do encontro dos opostos e do estranhamento. As relações, contudo, criam-se em compasso com a respiração: são indeterminadas e, sendo assim, nunca sabemos quando iremos inalar uma encantadora memória de infância ou um imperioso perfume que agride as narinas e os pulmões. São encontros heterogêneos e autoritários; são conflitos de cheiros, respirações, pensamentos e indeterminações. De modo inesperado, encontramo-nos com o outro o tempo inteiro e não há escapatória. Somos, como escreveu Anna Tsing em 2015, “[…] contaminados pelos nossos encontros; eles mudam quem somos à medida em que abrimos caminhos para os outros. […] Todo mundo carrega uma história de contaminação; ser puro não é uma opção” (tradução nossa). 

Atualmente, no entanto, os encontros são ameaçadores: respiramos um sistema invisível que pulveriza códigos financeiros e nos contamina com letargias e asfixias. Por isso, perguntemos: como coexistir com uma atmosfera catastrófica? O que nos contamina e o que contaminamos? O que respiramos, afinal? Como imaginar o impossível? Neste contexto de degradação tácita, as literaturas e as artes carregam rastros potentes de imaginários im-possíveis para, quem sabe, disseminar pelos ares e pelos corpos experiências profundas, sensíveis e inesperadas, que nos despertem modos outros de contaminações e percepções. Ora, devemos, de alguma forma, notar o estranho mundo contemporâneo no qual habitamos.

São questões como essas que, desde 2024, impulsionam as heterogêneas investigações das pesquisas dos estudantes de graduação e de pós-graduação que integram o Grupo de Estudos em Literatura e Modernidade (GELMo/UFSC). Nossos projetos de pesquisa em literatura e artes visuais, situados no contexto da modernidade ocidental, procuram compreender de maneira crítica o complexo panorama político, cultural e estético que se apresenta. Propomos, assim, por meio deste seminário inaugural e das movências dialéticas do pensamento, reflexões acerca dos modos como as artes e as literaturas se relacionam – e se encontram – com as adversidades e com o impossível perante as lacerações do passado e as crises contemporâneas. 

Para tanto, o GELMo convida a comunidade acadêmica para o evento Imaginar o impossível – sobre a modernidade e seus fins, a ocorrer nos dias 28, 29 e 30 de setembro. As conferências (abertura e encerramento) e as mesas de discussão acontecerão na sala Machado de Assis, localizada no quarto andar do Bloco B do Centro de Comunicação e Expressão da UFSC. Receberemos 14 propostas de comunicação, que deverão dialogar diretamente com as preocupações aqui delineadas ou com os anseios expostos em nossas chamadas anteriores e naquelas que se sucederão nas próximas semanas.

A submissão de trabalhos para comunicações é gratuita e deve ser feita entre os dias 01 de julho e 07 de agosto, por meio DESTE FORMULÁRIO. Para se inscrever, basta enviar um resumo de, no máximo, 350 palavras e três palavras-chave. As decisões sobre as propostas selecionadas serão comunicadas por e-mail. As inscrições para ouvintes estão abertas para toda a comunidade até a data do evento, clicando AQUI. Todos os participantes receberão certificado.

Segunda chamada: Imaginar o impossível – sobre a modernidade e seus fins.

08/07/2026 09:26

Desde que Walter Benjamin ocupou-se do retorno silencioso dos combatentes da Primeira Guerra Mundial, a parcela do mundo a que se convenciona chamar de Ocidente não pode, ou, ao menos, não deveria pretender eximir-se de haver-se com a experiência do vazio. Essa dimensão propriamente moderna, resistente à nomeação e à representação, é mais bem compreendida nos termos de uma perda ambígua. De um lado, para além da deposição da tradição e da autoridade, significa a proscrição de qualquer essência, de maneira que a tarefa de encontrar sentido está legada a cada um e a cada uma, coincidindo com o exercício de uma liberdade que interessa reivindicar quando ponderamos novas formas de convívio: a possibilidade de interromper o automatismo dos processos de domínio. Em contrapartida, o confronto com essa destituição dos fundamentos que legitimavam uma mesma e compartilhada forma de sujeição pode ocasionar tamanho desconforto que, para alguns, ao invés de lançar-se ao trabalho criativo, seja preferível respaldar projetos assentados sobre uma suposição de destino universal, a despeito de que sejam necessariamente excludentes, à semelhança dos desígnios depostos.

Uma vez que o pensamento e a criação implicam o mal-estar de descobrir-se sem respostas, o exercício contemporâneo do poder, realizável por intermédio do capital, apresenta uma única alternativa: o tudo é possível dos processos de consumo, que pretende excluir a insuficiência e, ao valorar a vida por meio de uma escala de utilidade e produtividade, estender-se sobre o intento de comunidade.

O imperativo desse paradigma biopolítico encontra uma de suas melhores traduções na inscrição fixada sobre os portões dos campos de concentração nazistas: “O trabalho liberta”. No que concerne ao Brasil do século XXI, recordamos um dos lemas do governo de Michel Temer, incontornável para ponderar a história política recente do país: “Não pense em crise, trabalhe”. Ainda, encontramos uma atualização desse mandamento em declarações recentes, que, no contexto do debate acerca da extinção da escala de trabalho 6×1, defendem os interesses de que se permaneça consumindo a vida e a experiência. De acordo com a presidente da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino, por exemplo, discutir a redução da carga laboral nos termos propostos não se tratava de política, mas de poesia; nesse caso, o desprezo ao poético parece-nos tributário de seu desterro ao campo da esperança, outro objeto de desdenho dos partidários do capital, de maneira a evocar o slogan neoliberal de Margaret Thatcher, versão adicional ao imperativo do consumo: “Não há alternativa”

Os autodenominados “representantes do mercado” não se interessam pela empreitada criativa. Mais que isso, para que o projeto de domínio a que se filiam seja bem-sucedido, é preciso prevenir que se reconheça a relação visceral entre a imaginação de outras formas de vida, a resistência e a efetiva ação política, gestos corolários do pensamento, somente possíveis na medida em que se reivindica, paradoxalmente, a impossibilidade de tudo nomear, tudo compreender, tudo consumir. Acreditando que as alternativas ao imperativo do capital decorrerão de que se assuma a responsabilidade do possível mediante o impossível, e com o intento de contribuir à ampliação do espaço imaginativo indispensável para que o sentido seja encontrado coletivamente, o Grupo de Estudos em Literatura e Modernidade (GELMo/UFSC) convida a comunidade acadêmica para o evento Imaginar o impossível – sobre a modernidade e seus fins, a ocorrer nos dias 28, 29 e 30 de setembro deste ano.

Desde 2024, o GELMo reúne estudantes em nível de graduação e de pós-graduação que se interessam pela busca por formas de viver e partilhar que se inscrevam sob um horizonte diverso daquele em que, à sombra do capitalismo, a consumação implica a consumição. Nossos projetos de pesquisa em literatura e artes visuais, situados no contexto da modernidade ocidental, procuram compreender de maneira crítica o complexo panorama político, cultural e estético que se apresenta.

Em nosso primeiro seminário, as conferências de abertura e de encerramento, assim como as mesas de discussão, acontecerão na sala Machado de Assis, localizada no quarto andar do Bloco B do Centro de Comunicação e Expressão da UFSC. Receberemos 14 propostas de comunicação, que deverão dialogar diretamente com as preocupações aqui delineadas ou com os anseios expostos em nossa primeira chamada e naquelas que se sucederão nas próximas semanas.

As submissões de trabalhos para comunicações são gratuitas e devem ser feitas entre os dias 01 de julho e 07 de agosto, por meio DESTE FORMULÁRIO. Para se inscrever, basta enviar um resumo de, no máximo, 350 palavras e três palavras-chave. As decisões sobre as propostas selecionadas serão comunicadas por e-mail.

As inscrições para ouvintes estão abertas para toda a comunidade até a data do evento, clicando AQUI. Todos os participantes receberão certificado.

Primeira chamada: Imaginar o impossível – sobre a modernidade e seus fins.

01/07/2026 09:52

Desde 2024, o Grupo de Estudos em Literatura e Modernidade (GELMo/UFSC) reúne estudantes com projetos de pesquisa em literatura e artes visuais dedicados à leitura crítica da modernidade. Embora muito heterogêneos, esses projetos convergem no rigoroso exame dos impasses do Ocidente moderno e suas narrativas legitimadoras, explorando as linhas de fuga que, entre a crítica e a criação, nos permitiriam imaginar, hoje, alternativas para a catástrofe conduzida pelo capitalismo planetário. Nesse sentido, o que mobiliza as pesquisas do Grupo é, de fato, uma exigência coletiva: trata-se da necessidade de reelaborar a ideia do porvir — ou seja, de abrir caminhos para outras formas de vida em comum, fora do capitalismo —, num contexto em que o futuro parece coincidir, cada vez mais, com a própria exaustão do mundo, a ser vivida como um presente sem termo.

Buscando atender a essa difícil exigência, o GELMo abre o convite — este é o primeiro de cinco chamamentos que faremos — para seu seminário inaugural de pesquisa, intitulado Imaginar o impossível – sobre a modernidade e seus fins, que ocorrerá presencialmente nos dias 28, 29 e 30 de setembro, na sala Machado de Assis, localizada no quarto andar do Bloco B do Centro de Comunicação e Expressão da UFSC. 

Gostaríamos de ouvir e discutir propostas que considerassem, por exemplo, nosso ser/estar no mundo como (re)criação de experiências compartilháveis, propositoras de laços, de contatos, de sentidos, de obras capazes de nos orientar em torno de um possível com-viver. Ou seja, gostaríamos de mobilizar leituras e visões de mundo que nos ajudassem a pensar modos de sair da lógica da atomização e da aceleração das vivências individuais, com a qual nossas vidas, anestesiadas em rotinas e padrões informacionais, redundam na inação diante do mundo-mercadoria.  

Procuramos formas de imaginar e construir outros futuros — diversos do desastre que se anuncia — através das artes, em geral, e da literatura, em particular. Que narrativas estão sendo articuladas para pensar esses futuros, para imaginar o impossível? Quais imagens — poesia, pintura, fotografia, cinema, escultura etc. — têm a força necessária para escapar ao espetáculo? Com quais formas, técnicas, cenas, corpos e sensibilidades a arte pode (re)construir uma vida em comum? Nosso desejo é, sobretudo, elaborar caminhos trilháveis — é abrir o horizonte, buscando um alento que seja, ao mesmo tempo, crítico e criativo, em meio aos escombros do presente.

No total, receberemos 14 propostas de comunicação, que deverão dialogar diretamente com as preocupações aqui delineadas, para que componham as mesas-redondas com as integrantes do Grupo.

As inscrições para comunicação são gratuitas e devem ser feitas entre os dias 01 de julho e 07 de agosto, por meio DESTE FORMULÁRIO; o resumo deverá conter, no máximo, 350 palavras e três palavras-chave. A comissão organizadora comunicará por e-mail a decisão sobre a proposta.

Ouvintes poderão se inscrever até a data do evento, clicando AQUI. Todos os participantes receberão certificado.

Em breve, divulgaremos nosso segundo chamamento.