Quarta chamada: Imaginar o impossível – sobre a modernidade e seus fins.

Estamos diante da inevitabilidade de um veredito, que nos cerca em um horizonte sem desvios. Seria este nosso futuro decretado? Esse futuro pintado de fim que dispara em nossa direção como sentença de morte. Ao redor, tudo que vemos são rostos conformados, repetindo o discurso de um único futuro possível, onde a força criativa – individual e coletiva – é consumida pela lógica cultural à qual nos submetemos. Lançamos a pergunta: como voltar a imaginar, ainda mais quando nosso músculo onírico se encontra em estado de atrofia deliberada? Arriscamos que somente uma experimentação radical com a linguagem tem condições de esgarçar essa abertura estreita por onde, hoje, atravessa somente uma possibilidade.
A arte, historicamente, tem sido esse campo de transformação e de ruptura, capaz de propor novas formas-de-vida. Diante de nossa era, marcada pela efemeridade, a arte enfrenta o desafio de despertar no ser humano a possibilidade de se reconectar com uma experiência mais profunda, sensível e integral da vida. É imperativo que ela assuma seu papel em imaginar o im-possível. Para tanto, se faz necessário, mais do que nunca, entrar em contato com obras que, para além de pensarem o presente, tenham potencial de desestabilizar a crença de um destino inevitável e de provocar fissuras por onde brotem novas ideias fecundas de futuro, na tentativa de, como formulou Hélio Oiticica em 1967, “abordar esse mundo com uma vontade e um pensamento realmente transformadores”.
São reivindicações como essas que aproximam estudantes, em nível de graduação e de pós-graduação, que integram o Grupo de Estudos em Literatura e Modernidade (GELMo/UFSC). Desde 2024, nossos projetos de pesquisa em literatura e artes visuais, situados no contexto da modernidade ocidental, compartilham a busca por uma compreensão crítica mais ampla do complexo panorama político, cultural e estético.
Nesse quarto chamamento para o nosso seminário inaugural, Imaginar o impossível – sobre a modernidade e seus fins, a ocorrer, presencialmente, nos dias 28, 29 e 30 de setembro na UFSC, o GELMo convoca aliados para um esforço coletivo de reflexão: de que maneira a literatura, as artes e as técnicas podem nos devolver uma experiência em comum ou provocar uma reintegração dos sentidos, nesse contexto marcado pelo isolamento sensível e pelo esgotamento da imaginação? Como imaginar novas formas de romper com o conformismo diante de um futuro aparentemente inexorável? Talvez seja preciso voltarmos a confiar no contágio produzido pelas linguagens, pelos corpos e pelos sentidos que certas obras ainda conseguem suscitar.
Convidamos, enfim, pesquisadores dispostos a provocar essa fissura conosco, ou ao menos tentar. As conferências de abertura e de encerramento e as mesas de discussão acontecerão na sala Machado de Assis, localizada no quarto andar do Bloco B do Centro de Comunicação e Expressão da UFSC. Receberemos 14 propostas de comunicação, que deverão dialogar diretamente com as preocupações aqui delineadas ou com os anseios expostos em nossas chamadas anteriores e naquelas que se sucederão nas próximas semanas.
A submissão de trabalhos para comunicações é gratuita e deve ser feita entre os dias 01 de julho e 07 de agosto, por meio DESTE FORMULÁRIO. Para se inscrever, basta enviar um resumo de, no máximo, 350 palavras e três palavras-chave. A decisão sobre as propostas selecionadas será comunicada por e-mail. As inscrições para ouvintes estão abertas para toda a comunidade até a data do evento, clicando AQUI. Todos os participantes receberão certificado.


